Resenha, Resenha de Show — April 27, 2012 at 8:30 pm

The Bard’s Night em Curitiba – Glorioso!

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Pra quem é verdadeiramente fã de Heavy Metal, é sempre uma aventura ir a um show de uma banda quando existe admiração por parte do fã. No meu caso, um dia antes do show a ansiedade já vai atuando e a adrenalina aumentando conforme o evento se aproxima. Quando se trata da banda pela qual temos uma admiração que prevalece sobre todas as outras, a coisa fica mais complicada, e se torna mais difícil manter a sanidade. Coisa de quem ama boa música.

No dia 25/04/2012 (última quarta-feira), decidi intensificar o fator ‘aventura’ de um show que já costuma ser um expansor de emoções em potencial. O que fiz foi sair de minha zona de conforto – São Paulo – e ir à Curitiba assistir o show do Blind Guardian que retornava ao Brasil após sete meses. Graças a um novo e grande amigo – Virgílio, um dos editores do Blind Guardian Brasil – que me convidou e organizou toda a logística pra que eu e outros felizardos tivéssemos a oportunidade de conhecer pessoalmente os Bardos de Krefeld, e assistir o show em um lugar privilegiado, a experiência que já deveria ser grande foi extremamente potencializada.

Após uma tarde com autógrafos, fotos, entrega de presentes e demais ações típicas de fãs declarados, finalmente fomos ao show, que é o que realmente interessa. Todos os integrantes do Blind Guardian foram muito receptivos e atenciosos durante a tarde, mas o forte deles é definitivamente a música, que eles executam de forma gloriosa.

E então, na noite de 25 de abril de 2012 começou a tão esperada ‘The Bard’s Night’, que infelizmente não teve a participação do Grave Digger, imprevisto este que frustrou muita gente. É interessante mencionar que durante todo o show, a bandeira do Blind Guardian Brasil que foi entregue à banda naquela tarde, esteve estendida no palco. O show do Blind Guardian começou com ‘Sacred Worlds’ como já era esperado, que é excelente como música introdutiva, e acendeu fortemente o Master Hall, preparando todos os presentes para o que viria a ser um repertório matador. ‘Born in a Mourning Hall’ veio na seqüência trazendo a velocidade necessária pra sacramentar de vez o fato de que era uma banda de Power Metal que estava no palco. Seu refrão foi cantado em uníssono por todo o público tornando o momento épico.

Após alguns clássicos incendiários, surgiu o primeiro grande momento da noite, quando o vocalista Hansi Kürsch anunciou a poderosa ‘Lost in the Twilight Hall’. Tornou-se simplesmente impossível ficar parado, e enquanto a casa vinha abaixo, todos cantavam o aclamado refrão. Era visível notar a expressão de satisfação da banda perante tamanha participação do público. Em seguida tivemos a obrigatória ‘Valhalla’ com o obrigatório final cantado à capela pela platéia, que se não fosse interrompida em algum momento, cantaria eternamente, conforme foi falado pelo próprio Hansi Kürsch. A música seguinte foi a surpresa da noite; ‘Ride into Obsession’, que raramente é reproduzida ao vivo. Pra mim foi uma surpresa aprazível além da conta, pois em minha opinião esta é a melhor música do ‘At the Edge of Time’. ‘Somewhere Far Beyond’ veio seguida de ‘A Past and Future Secret’ mostrando uma saudável renovação no repertório, e também levando alguns fãs aos prantos. E como se a noite já não estivesse atingindo níveis astronômicos de esplendor, o primeiro set foi encerrado com nada menos que ‘Imaginations From the Other Side’, trazendo o segundo ápice do show à tona.

É importante frisar o excelente desempenho do vocalista Hansi Kürsch, que estava distribuindo agudos rasgados como eu não via há muito tempo. Aparentemente fez bem a ele passar a tarde inteira bebendo cerveja e assistindo futebol no bar próximo ao hotel. Sim, ele fez exatamente isso!

O encore se iniciou com a introdução ‘War of Wrath’, denunciando o que estaria por vir, e todos se preparam então para a sempre bem-vinda ‘Into the Storm’. Essa música é diversão garantida. ‘Lord of the Rings’ veio em seguida e a participação do público foi geral, tornando este um momento memorável da noite.

O Blind Guardian tem uma capacidade única de criar músicas que funcionam sempre muito bem ao vivo, como se eles planejassem seus refrões pensando em fazer o público cantar junto com todas as suas forças. ‘And the Story Ends’ é o melhor exemplo para descrever isto. Parece que foi feita para ser tocada em show, de forma que todos querem participar e a composição se torna muito mais poderosa do que é em estúdio. Tivemos uma boa dose dessa demonstração de poder neste show, quando esta música foi tocada.

Os momentos finais se aproximavam. A introdução de ‘Wheel of Time’ começou e embora eu goste dessa música, confesso que trocaria por ‘Time Stands Still’ ou ‘Bright Eyes’, mas não me sinto no direito de fazer nenhuma crítica sequer a uma noite tão gloriosa como esta. E à todos os que pensam de forma parecida,  só posso dizer que já está na hora de se conformar que um único show não comporta todos os petardos que esses bardos têm pra oferecer. A reta final veio com as duas ‘The Bard’s Song’ (In the Forest e The Hobbit), e a derradeira, que não não foi nenhuma surpresa. ‘Mirror Mirror’ é sempre ‘Mirror Mirror’, não importa a turnê, a data ou o país. Veloz, poderosa e com o famoso coro do público, ou seja, é simplesmente Blind Guardian, e poucas outras músicas representam a banda tão bem quanto esta. É o típico grand finale, que deixa a todos atordoados e pensando: “como seguir em frente depois disso?” E ainda que tenha sido divertido conhecer pessoalmente os integrantes da banda, nenhuma experiência foi melhor que assistir ao show!

Eu, como um paulista orgulhoso, após esta ‘The Bard’s Night’, posso afirmar agora com segurança que o público do Paraná não deve nada para o de nenhum outro estado, tamanha foi sua energia, sem mencionar que são pessoas receptivas e calorosas. Só mesmo no meio Heavy Metal é que conseguimos fazer bons amigos em nome do orgulho que temos pela música que ouvimos. E a todos os que estiveram comigo nesta aventura eu só posso agradecer pelo companheirismo: Obrigado! Que venha o próximo show!

Setlist:

Sacred Worlds
Born in a Mourning Hall
Nightfall
Turn the Page
A Voice in the Dark
Lost in the Twilight Hall
Valhalla
Ride into Obsession
The Pipper’s Calling
Somewhere Far Beyond
A Past and Future Secret
Imaginations From the Other Side

Encore

War of Wrath
Into the Storm
Lord of the Rings
And the Story Ends
Wheel of Time
The Bard’s Song – In the Forest
The Bard’s Song – The Hobbit
Mirror Mirror