Resenha, Resenha de Álbum/DVD — October 30, 2013 at 7:36 pm

Resenha: Sepultura se redescobre e faz excelente disco

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Resenha de “The Mediator Between the Head and Hands Must be the Heart” – SEPULTURA – Nota: 9,0/10

Sempre fui muito fã do SEPULTURA, fiquei triste quando Max Cavalera saiu e confesso que fiquei apreensivo quando anunciaram a gravação de um novo disco com um novo vocalista, até então desconhecido.

“Against” (1998) foi o primeiro trabalho com Derrick Green e se não é um disco ruim como o “Nation” (2001) também não figura na lista dos melhores da banda, para uma estreia depois de dois petardos como o “Chaos A.D.” (1993) e o “Roots” (1996) seria natural a queda de qualidade ainda mais com uma mudança tão significativa no lineup.

Mas no “Nation” (2001), que me fez até ter uma certa expectativa, a coisa desandou de vez e desde então  não dei mais tanta atenção para os álbuns seguintes, dos quais ouvi uma ou outra faixa  sem que nada tenha me surpreendido ou mesmo chamado a atenção até o lançamento do “The Mediator Between the Head and Hands Must be the Heart”.

E o que me despertou o interesse no álbum não foram só os elogios da mídia, mas comentários de alguns amigos com ouvido bom que o elogiaram, e ao ouvi-lo não me decepcionei.

“Trauma Of War” abre o disco já com “os dois pés no peito”, violentíssima com guitarras rápidas e pesadas, blast beats e aquele toque que faz a faixa soar atual, mas sem ser modernosa demais, há muito tempo não ouvia nada do SEPULTURA assim, com essa pegada. “The Vatican” tem uma introdução caprichada andamentos cadenciados e se mantém no mesmo nível da primeira musica.

“Impending Doom” de longe me lembrou a faixa “Nomad” do “Chaos A.D.” (1996) muito peso e com andamento mais lento e cadenciado que as duas primeiras com teclados acentuando esse clima, destaque para as linhas de baixo do Paulo Jr. (de longe sinto uma influência de Black Sabbath), “Manipulation Of Tragedy” trás pela primeira vez nesse disco aquilo que estamos acostumados a ouvir nos trabalhos do SEPULTURA desde o “Chaos A.D.”, a percussão, que já é característica do som da banda e aqui não exagera e tempera bem a música e destaca o bom trabalho do baterista Eloy Casagrande.

“The Bliss of Ignorants” lembra demais as composições do “Roots” e conta com a participação do percussionista Fred Ortiz (ex-baterista do BEASTIE BOYS que também toca com o Derrick Green no projeto MAXIMUM HEDRUM).

“Grief” é uma boa surpresa, começa com dedilhados e fica pesada e bem arrastada com uma linha bem “sludge”, em recente analise publicada no blog do Diario de Pernambuco o guitarrista Andreas Kisser disse o seguinte: “É uma canção que começa com guitarras limpas de um modo que nunca tentamos antes. Escrevi esta música inspirado pelo trágico incidente que aconteceu no Brasil em janeiro de 2013. Mais de 200 jovens morreram em um incêndio em uma boate. O lugar não tinha saídas de emergência suficientes e a maioria das pessoas faleceram por asfixia. Foi horrível! A pequena cidade no sul do país, onde a maioria das vítimas viviam, ficou em luto. Escrevi esta canção em homenagem às vítimas e suas famílias.”

“The Age of the Atheist” foi o primeiro single do álbum e que serviu de amostra da excelente qualidade do disco.  “Obsessed” é outra paulada que ainda conta com a participação do Dave Lombardo (SLAYER, GRIP INC., TESTAMENT). “Da Lama ao Caos”, cover do Chico Science & Nação Zumbi cantada por Andreas Kisser, é o único deslize do disco e digo isso não pela musica em si, pois gosto bastante de Chico Science & Nação Zumbi, mas por achar que o cover não ficou legal mesmo e não combinou com o restante do álbum. E para estragar a surpresa, na faixa oculta no final do disco tem um pouquinho mais de Dave Lombardo.

Andreas Kisser é um senhor guitarrista e reafirma isso nesse disco, o baterista Eloy Casagrande também mostra sua qualidade e que é digno de ocupar a banco que um dia foi de Iggor Cavalera. Já o SEPULTURA se reencontra e faz um excelente disco, com uma sonoridade atual e  característica  dos melhores trabalhos da banda, ”The Mediator Between the Head and Hands Must be the Heart” é sem sombra de duvidas o melhor álbum da banda desde a saída de Max Cavalera.

Ao todo são doze faixas produzidas pelo renomado Ross Robinson, que já trabalhou no “Roots”. Duas faixas bônus são anunciadas, a inédita “Stagnate State of Affairs” e um cover de “Zombie Ritual” do “DEATH”, mas que eu ainda não consegui descobrir em qual versão do disco estarão disponíveis já que ele foi lançado em Vinil duplo preto de 180G, Vinil duplo cinza de 180G (edição limitada a 250 cópias), edição também limitada em digipack que inclui um DVD bônus com o making Of do álbum e digital para download e em nenhuma delas localizei tais faixas.

Dispa-se de preconceitos e ouça o novo SEPULTURA que parece ter reencontrado a sua melhor forma e inicia muito bem as comemorações de seus 30 anos de carreira que se completam em 2014.

sepultura-album

Tracklist:
01. Trauma Of War
02. The Vatican
03. Impending Doom
04. Manipulation Of Tragedy
05. Tsunami
06. The Bliss of Ignorants
07. Grief
08. The Age Of The Atheist
09. Obsessed
10. Da Lama ao Caos

Bônus tracks
Stagnate State of Affairs
Zombie Ritual (Death cover)

O disco chega às lojas do Brasil via Substancial Music e na Europa e EUA através da Nuclear Blast e pode ser ouvido por streaming AQUI