Notícias — September 14, 2013 at 11:48 am

LA Weekly: Os 20 melhores álbuns de hardcore da história

by

minorthreattop

Listas são sempre controversas, muita coisa boa dá lugar a outras de qualidade duvidosa, sempre a critério do autor, mas qual seria a graça em fazê-las se houvesse unanimidade? Eu gosto, embora tenha um pouco de preguiça de fazer as minhas, curto ler a dos outros criticar e discordar de boa parte delas.

Essa lista foi publicada pela revista LA Weekly, seus jornalistas e colunistas elegeram os vinte melhores álbuns de hardcore da história, os releases que seguem abaixo foram feitos por eles e entre os colchetes seguem os comentários deste editor do Megalomania. Sintam-se a vontade para concordar, discordar ou simplesmente critica-la.

 

20. At the Drive-In – Relationship of Command (2000)

Lançamento aclamado em 2000 dos texanos do At the Drive-in, com guitarras complexas e poderosos vocais, “Relationship of Command” foi a estrela do norte para as bandas de post-hardcore nos anos seguintes. Liderado pelo single “One Armed Scissor”, o álbum caiu no gosto do publico [NE: Não no meu!].

 

19. Fucked Up – The Chemistry of Common Life (2008)

Abrindo com uma flauta, “The Chemistry of Common Life” apresenta o Fucked Up empurrando punk rock até o limite. Letras antagônicas combinadas com quase 70 (!) Faixas instrumentais por música, para fazer um dos discos de hardcore mais ambiciosos na memória. Nativos de Toronto o disco ainda ganhou o Polaris Music Prize 2009 – o equivalente canadense do Álbum do Ano. [NE: Não conhecia a banda, mas ouvi algumas musicas que me chamaram a atenção. Merece uma conferida].

 

 18. Rites of Spring – (1985)

Considerados os precussores do post hardcore e do emo, produzidos por Ian MacKaye (Minor Threat, Teen Idles, Fugazi entre outras bandas), o disco foi uma espécie de versão mundo bizarro de Bowie e Eno em Berlim – exceto por que era Washington, havia menos drogas a disposição e tinha pouca gente assistindo. O vocalista Guy Picciotto gosta de repetir por ai que esse disco foi a origem do emo (e também que o gênero nunca existiu), mas isso não vem ao caso. A influência do disco é imensurável, e permanece como uma bela e gritante cápsula do tempo: algo real, antes do Fugazi. [NE: Instrumental punk rock com algumas dissonâncias, vocais um tanto melancólicos, se isso não for emo (Emo mesmo e não esse pop podre que chamam de emo por aqui) eu não sei dizer mais o que é. Curioso é que de longe lembra mesmo um pouco de David Bowie].

 

17. The Bronx – (2003)

Lançado em uma paisagem de metalcore detestável, o The Bronx destacou-se com suas estruturas musicais simples e de alta energia, som de hardcore convencional que permanece poderoso 10 anos depois. [NE: Gostei e recomendo pra quem gosta de punk rock/hardcore, eu começaria essa lista por aqui].

 

16. Earth Crisis – Firestorm (1993)

O Earth Crisis foi um divisor de águas em meados dos anos 90. Porção mais linha dura e extrema do movimento straight edge criaram uma legião de fãs defensores de suas bandeiras, mas a porção politicamente correta de seguidores foram repelidos pela violência e homofobia associado a base “hardline” de fãs da banda, um desdobramento ultra-militante do movimento straight edge. (As pessoas tinham medo de que esses fãs linha dura iam chegar a um show e bater nas pessoas por elas fumarem cigarros). Colocada a toda a política de lado, se há um riff mais pesado do que o da faixa-título, não ouvimos ainda. [NE: Não preciso falar nada do Earth Crisis, apenas ouçam!].

 

15. Eleven Thirty Four – Reality Filter (1996)

Por algum tempo em meados da década de 1990, Bro-Cal (aka Huntington Beach) foi o lar de algumas das bandas mais promissoras do hardcore. Eleven Thirty Four não atingiu a notoriedade do TSOL, Straight Faced, ou Ignite, mas fez o melhor álbum da  Bro-Cal – “Reality Filter” - com suas notas oitavadas, riffs dinâmicos, bateria consistente preenchendo bem os espaços e a produção extremamente leve. [NE: Mais uma banda que eu não conhecia, gostei do som].

 

14. Sheer Terror – Just Can’t Hate Enough (1989)

O vocalista do Sheer Terror, Paul Bearer, ganhou notoriedade pelo trecho da letra de “Just Can’t Hate Enough”, que diz: “Eu não suporto estar / Eu não suporto você / E eu simplesmente não consigo odiar o suficiente ” a música que começa com a frase “shut up punk” reza a lenda ser endereçada aos companheiros de cena do Warzone. Já em “Here to Stay” a banda parece atacar a cena inteira com classe e de forma meio pretenciosa com riffs interessantes com forte influência do Celtic Frost. O Sheer Terror é, como indica o título do álbum seguinte,  ”Ugly and Proud.” [NE: Hardcore pesadão, com forte influencia de metal sem frescura, gostei bastante. Lembra o som do Pro-Pain].

 

 

13. Suicidal Tendencies – (1983)

Nos anos 80, Veneza não é uma comunidade de praia peculiar. Era um lugar perigoso, cheio de gangues e com a sua própria cena hardcore. O Suicidal Tendencies era banda emblemática da cena, levando companheiros de viagem Excel, Beowülf e  No Mercy para os pastos mais verdes do crossover. Na verdade o Suicidal Tendencies foi creditado por muitos, Scott Ian do Anthrax entre eles, como um dos  inventores do crossover. [NE: Merecia uma posição muito melhor na lista, porém eu não o incluiria em uma lista de discos de hardcore/punk, mas sendo o Suicidal Tendencies eu perdoo. Suicyco Muthafuckaaaa!!!!]

 

12. Gorilla Biscuits – Start Today (1989)

Os Buzzcocks não influenciaram muita coisa no hardcore, mas significou muito para o vocalista do Gorilla Biscuits CIV (Anthony Civarelli) e também para o guitarrista Walter Schreifels. No disco “Start Today”, o Gorilla Biscuits exibiu uma valorização do pop punk da primeira geração, no âmbito da segunda geração do hardcore. O trabalho apresenta muitos backing vocals, melodias sem perder a agressivida do punk/hardcore tradicional. [NE: O disco é espetacular e quem gosta de hardcore tem que ouvir, merecia melhor colocação].

 

11. Bad Brains – I Against I (1986)

“I Against I” foi gravado logo após uma breve pausa do Bad Brains, serviu para influenciar grupos de lugares tão distantes como o Beastie Boys e Sublime que costuma tocar a faixa “House of Suffering” em seus shows. “I Against I” tem uma direção mais experimental, mas expande seu som da maneira certa. O vocalista HR gravou os vocais da faixa “Sacred Love” por telefone da prisão, enquanto cumpria pena por trafico de maconha. “I Against I” fez a banda chegar a um ponto, que eles (e outros) há muito que tentaram igualar. [NE: Acho o melhor disco do Bad Brains e também merecia melhor colocação nessa lista].

 

10. The Germs – GI (1979)

O único álbum de estúdio da banda de Los Angeles The Germs. Seu título é um acrônimo para “Germs Incognito”, um nome que, por vezes, era usado pela banda já que os clubes locais não queriam os shows da banda por serem violentos demais. Produzido por Joan Jett, a gravação apresenta riffs agressivos e vocais malcriados, tornou-se o modelo não-oficial para bandas de hardcore da costa oeste. Conflitos internos e o suicídio do vocalista Darby Crash, causaram o fim do grupo menos de dois anos depois do lançamento do “GI”. [NE: Conheci a banda através dessa lista e gostei muito do som].

 

9. Youth of Today – Break Down the Walls (1988)

O apelo do hardcore é que nele se encaixam explosões de caos frenético em algumas estruturas musicais bem conservadoras, ao contrário do metal, não há barulho proggy. E com a rigidez adicional de Straight Edge, amplia a tensão ainda mais. Às vezes em “Break Down the Walls” a bateria ameaça um galope para longe em todas as direções, e o vocalista Ray Cappo parece perpetuamente à beira de um aneurisma. Mas as músicas têm sempre mensagens de conciliação – como quando o cara que só deu cotoveladas no pit estende a mão e levanta o outro do chão – e é por isso que o Youth of Today deixou sua marca indelével no hardcore de Nova Iorque. [NE: Outro discasso!!!].

 

8. Cro-Mags – The Age of Quarrel (1986)

“The Age of Quarrel” é o último grande álbum da primeira onda do hardcore. Não há banda que mudou tanto a direção do estilo mais do que o Cro-Mags. Nova Iorquinos com influencia Hare Krishna, liderados pelo vocalista John “Bloodclot” Josephe e o  inimitável Harley Flanagan o Cro-Mags introduziu uma influência de metal por meio do Motörhead e também do Tank que forneceu o modelo para o hardcore pós-1986. Eles também foram a primeira banda a ter um vídeo clipe na MTV com moshs e stage diving. [NE: Justa a posição, lembremos do Machine Head tocando “Hard Times” do Sepultura  com o cover de “We Gotta Know” para ter a dimensão da influencia e respeito que o Cro-Mags tem].

 

7. Agnostic Front – Cause for Alarm (1986)

Se 1982 foi o ano do auge do hardcore, 1986 foi o ano do crossover. O crossover foi uma tentativa dos gênios do marketing de fazer o punk para vender mais, tornando-o mais metálico, apelando simultaneamente para punks, skins e headbangers. A tentativa caiu por terra, mas resultou em alguns registros matadores, como o segundo disco do Agnostic Front “Cause for Alarm”, que saiu em 1986. Com algumas letras de Peter Steele, falecido vocalista do  Type O Negative (“The Eliminator”, “Growing Concern” e “Toxic Shock”) combinado com vocais frenéticos de Roger Miret e a  guitarra de Alex Kinon, o resultado é uma união perfeita. [NE: Considero esse disco espetacular, merecia posição melhor].

 

6. Minutemen – Double Nickels on the Dime (1984)

Ofuscado pelo Black Flag, “Double Nickels on the Dime” foi, no entanto, lançado para aclamação geral da critica. Mike Watt, baixista da banda,  após a morte do vocalista D. Boo e consequente final da banda, trabalhou com muita gente, incluindo Nirvana, Sonic Youth, Eddie Vedder, Red Hot Chili Peppers e Iggy Pop. A faixa “Corona” ficou famosa após se tornar triha sonora do seriado e também do filme “Jackass. [NE: Ouvi pouca coisa, não é o tipo de som que me agrada, muito experimental, no minimo estranho].

 

5. Converge – Jane Doe (2001)

Este é o registro que eleva o hardcore a uma forma de arte – uma forma de arte na qual os artistas circuncidar-se-ão na frente de multidões ou onde teremos pessoas queimando as escolas de arte. No “Jane Doe”  o quarteto de Salem, Massachusetts, estendeu a raiva de dolorosas rupturas e o tédio dos longos invernos da Nova Inglaterra em uma nova forma de expressão o  “metalcore”.  Este registro declara firmemente que os impulsos musicais auto-destrutivos podem ser simultaneamente catártico, artisticamente bonito, e maduro. [NE: Discordo que esse seja um disco de metalcore, se for pra usar esse maldito rótulo o Earth Crisis merece mais, mas listas servem pra isso e o disco é uma obra prima].

 

4. Bad Brains – S/T (1982)

O Bad Brains fez a ponte do punk ao hardcore por meio do jazz. Pouco antes de eles lançaram esta álbum o punk precisava de um recomeço e uma boa infusão de ira real, em face da New Wave e de tudo o que pop da época fazia. O que saiu no disco era algo diferente. HR e companhia podem ter “aprendido” algo com o punk britânico, mas reconstruíram tudo e começaram algo novo, algo ainda mais furioso . [NE: Um grande disco, respeito até a posição dele nessa lista, porém eu prefiro o “I against I”].

 

3. 7 Seconds – The Crew (1984)

O Hardcore, apesar de toda sua agressividade, aborda quase sempre a positividade. É sobre encontrar-se em um mundo de merda (ou seja, na era Reagan) e tentando fazer alguma coisa contra, ou para mudar, isso. E o 7 Seconds escreveu um “livro” sobre o hardcore positivo,   esse livro é o disco “The Crew”. Os vocais crescentes de Kevin Second criaram o que hoje chamamos de hardcore melódico que em 2013 denuncia a violência e promove a unidade na  cena, mas em 1984 o 7 Seconds ofereceu um vislumbre de esperança para a molecada que amou a energia positiva do hardcore, mas se irritou com seu sectarismo de luta. [NE: Gosto do disco, mas não o acho extraordinário e nem merecedor da 3° posição].

 

2. Minor Threat – Complete Discography (1990)

Claro, não é tecnicamente um álbum, mas não há melhor introdução ao gênero do hardcore que “Complete Discography” do Minor Threat. Tão rápido, tão forte, tão justo, tão jovem: Ian MacKaye, Brian Baker, colocaram o hardocre de Washington no mapa e estabeleceram uma sintese entre o estilo “do it yourself” e o movimento “straight edge” . Mesmo com todo o seu trabalho cabendo em um unico disco não diminui sua importância, mesmo hoje, ainda é perfeitamente fora de sintonia (com o mundo). [NE: Realmente uma aula, posição mais que merecida, acho até que poderia ser o primeiro da lista, mas… O Slayer no clássico “Undisputed Attitude” regravou, salvo engano, três músicas desse disco].

 

1. Black Flag – Damaged (1980)

“Damaged”  é a declaração definitiva do Black Flag, a verdadeira gênese  própria do hardcore. Punks mais novos freqüentemente atacam Hank Rollins para ganhar pontos na cena, mas não há maneira mais rápida de dizer: “Eu não sei nada sobre hardcore.”

O antigo Henry Garfield moldou as atitudes e a imagem durante a conexão com o público-alvo da banda (skatistas e skinheads suburbanos). Muitos backing vocals em coro como em “Rise Above” e “Spray Paint”, que se tornou um modelo a ser seguido por outras bandas. Versões regravadas de algumas musicas (“Six Pack”, “Police Story”, “Gimme Gimme Gimme” e ” “Depression”) apareceram por ai, com algumas melhorias, muitas vezes fazendo o humor sarcástico da banda ainda mais explícito do que antes. [NE: Eu não daria o primeiro lugar ao Black Flag, estariam em minha lista  mas abaixo de outras bandas como o Minor Threat por exemplo].

Fonte: LA Weekly Parte 1  e Parte 2