Notícias — June 5, 2012 at 3:33 pm

Dorsal Atlântica retorna pelos fãs

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Recentemente o PORTAL ROCK PRESS entrevistou os integrantes de uma das mais importantes bandas do Metal nacional, o Dorsal Atlântica. A conversa abordou acima de tudo o assunto que interessa a todos, o retorno da banda após doze anos, e com a formação clássica, Carlos Lopes (vocal e guitarra), Claudio Lopes (irmão do Carlos, no baixo) e Hardcore na bateria. Foi com este time que foram gravados os albums ‘Antes do Fim’, ‘Dividir & Conquistar’ e ‘Searching For The Light’. Além de entrevistar o trio, PORTAL ROCK PRESS também procurou os outros ex-músicos do Dorsal Atlântica. Angelo Arede (baixo) preferiu não se manifestar e o baterista Guga não respondeu.Confira abaixo a matéria completa:

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Carlos, todo mundo lhe faz essa pergunta, todo mundo se pergunta: por que a Dorsal Atlântica voltou, mesmo você tendo dito dezenas de vezes que a banda não voltaria?

Carlos Lopes – Vamos gravar o CD somente por causa dos fãs. Parece uma resposta muito simples, mas é a verdade. Estou fazendo o que os fãs me pedem há 12 anos. Faremos um disco de inéditas, feroz e melódico, mais cantado e menos gutural, com mais canções e menos barulho, mas que será fiel à história da Dorsal, um disco calcado no passado e mirando o futuro da música pesada no Brasil. O público da Dorsal está nos apoiando exponencialmente, as porcentagens duplicam dia a dia e até o momento a meta semanal está sendo atingida. Crowdfunding é um sistema de realização de projetos, financiado pelas pessoas, sem intermediários. A data limite para que o apoiador invista na produção do CD é 10 de JUNHO de 2012. Se até essa data, se o valor total não for arrecadado, o CD não será produzido e os investidores terão seu dinheiro de volta. Do orçamento de 40 mil, um valor subfaturado, 27,5 % são do imposto de renda e 12% do site Catarse. Os valores de contribuição cobrem todas as despesas relativas à gravação e prensagem do novo CD da Dorsal Atlântica. As diversas opções de investimento estão disponíveis no site CATARSE.ME.

Em 2010 numa entrevista para o PORTAL ROCK PRESS eu lhe perguntei qual a parte do seu passado que você não se incomoda em lembrar?. Ao final da sua resposta você disse “Na maior parte das vezes eu não me reconheço quando ouço os meus discos antigos, principalmente os discos de vinte anos. Não sou aquela mesma pessoa que compôs e gravou aquilo, aquele é uma pessoa completamente diferente da minha realidade. Tenho dificuldade às vezes de me achar nos próprios discos que gravei há oito anos. Eu ouço e gosto muito de certas coisas, mas tenho dificuldade em me compreender. É como se fosse uma roda-gigante sentimental, ela vai pro ápice, sobe, desce e volta e parece que sempre está no mesmo lugar”. Agora voltando com a Dorsal Atlântica, como será ter que possivelmente trabalhar com sonoridade de discos com até mais de 20 anos, como é o caso do Antes do Fim e Dividir e Conquistar?

Carlos Lopes – Não há contradição alguma… Se você me ouviu bem, só falei o óbvio, que graças a Deus eu evoluí. Você queria que eu inventasse história? Creio que ficou bem claro: “Não sou mais a mesma pessoa!”. Que bom para mim e para todo mundo. Para que alguém quer viver a vida inteira na adolescência? Isso é anormal. As pessoas crescem (ou quase isso), se desenvolvem, morrem e à vezes, como no caso da Dorsal são como entidades além de nossas vontades. Não tenho a mesma cabeça, nem os mesmos gostos e o que era importante para mim há 20 anos, já não é mais. Então não estamos revivendo e nos copiando, estamos agradecendo ao amor dos fãs com um disco de inéditas feito por pessoas que caminharam na estrada da vida e que trazem todas as marcas boas e ruins dessa trajetória. Musicalmente, não vamos nos repetir, porque não somos as mesmas pessoas. Nos inspiramos nos antigos trabalhos, mas não há como soar igual, porque cá entre nós, isso seria ridículo, é como vestir uma calça apertada de quando eu pesava menos 10 quilos.

Há quando tempo você, seu irmão e o Hardcore estão trabalhando nessa volta?

Carlos Lopes – O ponto de partida foi o convite da produção do ‘Metal Open Air’, o festival que não ocorreu no Maranhão e que contava com um cast de dezenas de bandas fabulosas. A produção nso ofereceu o fechamento de uma das 3 noites do festival. Nenhuma outra banda brasileira foi convidada para fechar uma noite, só nós, uma banda que encerrara as atividades há 12 anos… Quando o convite surgiu, percebi que era a hora. Nos disseram que a abertura para a Dorsal Atlântica, seria feita pelas bandas Exodus e Anthrax. 99% das bandas brasileiras aceitariam na hora, mas eu disse não porque não havia cachê. Nem três meses se passaram desde que recebemos o convite. É algo muito recente. Mas estava na cara que seria 2012, por razões até cármicas, místicas… Houve algum atraso na entrada da campanha no ar, pois o site Catarse pediu que fizéssemos o vídeo promocional em HD.

Desde que a banda encerrou as atividades, em algum momento a banda esteve bastante perto de uma volta? Alguma proposta valida de show, disco de inéditas, DVD ao Vivo…

Carlos Lopes –Recebi todo tipo de proposta durante 12 anos, inclusive gravar um disco com David Vincent do Morbid Angel no baixo e Igor Cavalera na bateria, mas certamente eles não sabem disso.

Com o projeto da volta da Dorsal Atlântica haverá espaço para você se dedicar aos seus outros trabalhos em 2012? Como vai ficar seus Livros, produções de discos, Bandas Mustang e Usina Le Blond, Revista Eletrônica O Martelo…

Carlos Lopes -Difícil é conciliar tudo, não só as bandas. Minha vida não é só música, ela é uma parte importante de mim, de quem sou, mas não é a única coisa. Posso fazer tudo o que puder, seja com música ou literatura, desde que haja cabeça, tempo e verba.

No passado você havia dito que seu sonho era lançar o livro Guerrilha com umas 300 paginas. Essa nova edição do livro são as sonhadas 300 paginas? O que teremos de novo nessa edição, além da capa especial?

Carlos Lopes – Trezentas páginas eu não sei, por causa do custo. O valor unitário de um livro sob demanda na qualidade que estamos preparando para os fãs, é de quase 100 reais a unidade. Capa recorberta de curvin negro com o título prateado e no interior papel couche 150 gramas com fotos de página inteira, sem contar que o texto do livro foi todo revisadoe ampliado com bem amsi confidências e detalhes. Quanto mais pessoas comprarem o livro, melhor que o custo unitário cairá e assim poderemos pensar em ter mais páginas. A qualidade do livro dependerá do apoiador. Provavelmente o livro se transformará em um longa metragem, já estou conversando sobre isso com um produtor desde o ano passado. O relançamento do livro virá junto à campanha do CD da DORSAL. Se o CD não for lançado, o livro também não será.

Os outros músicos que passaram pela Dorsal se manifestaram de alguma maneira sobre essa volta?

Carlos Lopes -Eles adoraram, era como se estivessem esperando há anos por isso, foi bem interessante.

Recentemente o LP Ultimatum foi relançado em vinil. O que acha desse relançamento?

Carlos Lopes – É uma forma de apresentar a gênese do rock pesado no Brasil às novas gerações. Sem contra que a produção é ultra capricahada, coisa de primeiro mundo. Eu recomendo.

O mercado de discos de vinil está recuperando sua força. Você pensou em lançar esse novo álbum em vinil, tendo em vista que muitos fãs da banda são colecionadores de LPs e isso seria mais um atrativo para essa campanha?

Carlos Lopes - Primeiro o CD pronto, depois o vinil. Sem precipitação…

Com base nos números de apoiadores, tudo indica que o disco será lançado. Passa-lhe pela cabeça organizar um novo projeto para financiar um show e desse show um DVD ao vivo?

Carlos Lopes – Que bom que você também acredita que o CD será lançado, nós também, mas somos conscientes que para isso é necessário que as pessoas se mobilizem mais ainda. Só vamos sossegar quando atingirmos o valor total dentro do previsto, até 10 de JUNHO. O projeto é apenas para a gravação de um CD, não há shows nesta história. Os shows serão consequência se houver mais mobilização. Na verdade, todo dia, um ou mais produtores nos procuram e explico que a banda não voltou.

Falando em shows, Dorsal sempre foi uma banda de forte presença de palco, porem você tem dito que no momento não existe possibilidade de shows! O que falta para esses shows acontecerem e como seria encara uma geração que nunca viu vocês ao vivo e fãs que estiveram em shows da Dorsal?

Carlos Lopes – Profissionalismo, cachês condizentes, estrutura de som e luz de porte profissional, o que se pede de praxe.

Nesses anos que a Dorsal esteve longe dos palcos, muita critica infundada foi feita pelos fãs, impressa e até de outras bandas! Diziam: “Dorsal virou Funk!”, “Carlos Traidor”… Como foi encara isso tudo? E como tá sendo a reação desses críticos agora com a volta da banda?

Carlos Lopes – Você acha que eu meço minha vida pelos outros? Não se diz que o futuro se escreve com os bravos? Não com os “bravios”. Eu trabalho e tenho uma vida para tomar conta e só devo satisfações a quem está apoiando o projeto, a ninguém mais. Nunca empurrei a banda na goela dos outros, ou mantive minha carreira no metal além do necessário. Quando não quis viver de bolsa-metal fui tratar da minha vida, ser livre e amar, sem dogmatismos, sem amarras. Escrevi livros, difundi o livre pensar, toquei baião, candomblé, samba a soul, amarradão e nada tenho a me desculpar. A alma livre NUNCA é pequena.

Mesmo com o acesso a internet sendo algo livre para todo o mundo, o projeto terá um impulso maior no Brasil. Existe chance do disco ser licenciado no exterior por alguma gravadora ou selo?

Carlos Lopes – Primeiro o CD pronto, depois o resto.

A Dorsal Atlântica sempre teve uma temática forte em suas letras, quais serão os temas delas nesse novo álbum. Fale sobre cada uma delas:

Carlos Lopes – Comissão da Verdade (a quem interessa?), Contenda (sobre brigas sem fim), Stalingrado (a invasão nazista à Rússia comunista), Operação Brother Sam (caso João Goulart resistisse em 64, o Brasil seria bombardeado pelos Estados Unidos até por porta-aviões), Jango Goulart (o presidente deposto), Eu Minto, Tu Mentes, Todos Mentem (reflexão sobre a alma humana), O Retrato De Dorian Gray (sobre a mídia, a estética, sobre assessorias de imprensa, sobre fatos e fotos…), Corrupto Corruptor (óbvio: sobre o Brasil), Colonizado / Entreguista (sobre os péssimos brasileiros que só reclamam), A Invasão Do Brasil (incrível depoimento do médium Chico Xavier sobre a invasão de um certro país), 168 Bpm, Imortais (a última faixa do disco é um hino escrito em homenagem aos fãs da DORSAL).

Já tem o conceito para a arte da capa?

Carlos Lopes – É o rosto de Jesus do Santo Sudário com uma coroa de espinhos feita de balas. É a imagem que aprece no começo do clipe da campanha. É uma continuação da capa do Antes do Fim de 1986. É uma citação que pode até ser debochada mas faz muito sentido para mim, ainda mais com o Jesus pintado na caneca que está nas opções da campanha. Tome seu chopp com Jesus. Veja aqui

Nos últimos anos várias bandas históricas do metal e do rock pesado nacional estão voltando suas atividades, alem de vocês em 2012. O Viper tá voltando com André Matos no Vocal! O que você acha da volta do Viper e dessas outras bandas que retonaram nos últimos anos?

Carlos Lopes – Não acompanho nada da cena, e nem é só de metal, mas de rock, música, há muitos anos. Soube que o Viper voltou quando um jornalista me falou. Acho bacana para as bandas mais veteranas terem o seu espaço, como há na Europa. Não sei a motivação deles, mas te garanto que no nosso caso não foi saudosismo e nem vontade de voltar aos palcos: foi pelos fãs.

E a volta do Ozzy ao Black Sabbath?

Carlos Lopes – Como te disse não acompanho nada, vivo entre minhas criações musicais e literárias. Saio pouco, não assisto muita TV, só documentários e nem sei o que rola. Não acompanho a imprensa musical nem a nacional. Sou totalmente caseiro e vivo na minha.

Cláudio e Hardcore, o que vocês acharam da regravação do Antes do Fim Depois do Fim e dos demais discos de que vocês não participaram?

Hardcore – Da gravação Antes do Fim, Depois do Fim, eu gostei muito, mantiveram as levadas da época, esta melhor gravado, e claro, que em termos de audio, muito melhor sem dúvida, fizeram um bom trabalho nessa nova edição. Quanto aos outros discos que eu não participei, acho tudo muito bom, tem haver com o período, tem muita qualidade e muito melhor gravado, gostei de tudo.

Cláudio Lopes - Gostei muito da regravação do “Antes do Fim Depois do Fim” , pois manteve a pegada que a banda sempre teve. Sou suspeito em falar, pois sempre gostei do som, das músicas e das gravações da Dorsal.

Nesses anos que vocês estiveram fora da Dorsal tiveram outras bandas. Falem um pouco sobre elas!

Hardcore – Eu sempre tive outros trabalhos, nunca deixei de tocar, esses trabalhos eram mais na linha POP Rock e até Jazz, música faz parte da minha vida e não pretendo parar tão cedo.

Cláudio Lopes - Nunca tive banda propriamente dita. Estive tocando com amigos em ondas musicais que iam do Hard Rock ao Blues, mas sem postura de banda.

Deixem uma mensagem final e nos contem o que espera dessa volta!

Hardcore – Espero que os Fãs gostem desse novo CD, que possam comentar, o quanto foi importante essa gravação e o retorno da Banda como um todo, principalmente para o cenário do Metal no Brasil. Quanto o que eu espero dessa volta, espero que seja tudo de bom pra todos nós, ficamos esse tempo todo afastados e agora, podemos fazer mais uma vez história no movimento de Metal no Brasil, vamos mostrar que a Dorsal não esta morta, esta viva e ha pleno Vapor, vamos bagunçar esse Pais novamente. Cláudio Lopes - Esta volta é um “Muito Obrigado” a todos aqueles que sempre curtiram a Dorsal Atlântica e que sempre estiveram a espera de novidades. Estamos todos empenhados em fazer um grande CD e tenho certeza que a galera vai gostar.

Carlos Lopes – Como citei antes, só haverá algo concreto, o CD, se todos colaborarem e participarem financeiramente da campanha até o dia 10 de junho. Essa é uma campanha comunitária, e sem participação não há ação. Se não arrecadarmos os 40 mil, não haverá CD e também, qualquer apoiador pode contribuir o quanto quiser e sem desejar nada em troca. Até isso é possível. Então, mãos à obra.

PERGUNTAS DOS FÃS E MÚSICOS SOBRE A VOLTA DA DORSAL ATLÂNTICA

Jonildo Dacyony – 37 anos fã da Dorsal – Campo Grande/RJ Carlos Lopes, durante esse tempo em que a Dorsal Atlântica esteve parada, ouvimos dizer que você havia deixado o metal um pouco de lado e que um dos motivos teria sido decepção com o cenário, não só carioca, mas nacional. Gostaria de saber como foi sua reflexão sobre o assunto e quais foram às conclusões a que chegou e que visão você tem hoje em relação ao underground, principalmente no RJ!

Carlos Lopes - Decepção é uma palavra muito forte, houve sim um cansaço natural de quem se dedicou muito à construção da cena, pois de fato eu dei-lhe uns dos primeiros alicerces e contra isso, não há refutação: é história. Tenho muito orgulho do que fiz e por que não teria? Houve um momento em que não me reconhecia mais fazendo parte de uma cena, que não me representava e fui tratar da minha vida e fiz tudo o que quis. Isso é coerência.

João Júnior, 42 anos, fã da Dorsal – Aracaju/SE O que os Fãs podem esperar desse disco novo na opinião da banda? Este será o álbum mais rápido, pesado e produzido na carreira da banda?

Carlos Lopes – O mais rápido e pesado não, já estamos com quase 50 anos! Você quer nos matar? Será sim, um disco composto por pessoas diferentes, mas feito com tesão. Não será um CD de crust como o Straight, será mais musical e melódico do que o Dividir, terá algumas letras como as do Antes do Fim, e terá uma dupla de hardcores violentos, alternados com composições de thrash límpido como no início dos anos 80. Enfim, será uma curiosidade até a entrega não é? Mas se o projeto der certo postaremos os videos da gravação do CD, isso é certo.

Luciano Félix (Vugo Luciano Vândalo) – 41 Anos, Fã da Dorsal e pai de Carlos Vândalo – Duque de Caxias/RJ Carlos, grandes nomes como Marillion, Public Eenemy e George Clinton, buscaram no financiamento coletivo soluções para gravar novos trabalhos e turnês em outros paises, no Brasil isso vem se tornando cada vez mais popular. O Futuro é o crowdfunding?

Carlos Lopes - Você citou bem, se George Clinton, um ídolo para mim fez, por que eu não faria? Bem, meu amigo o futuro não sei é vortex mas o nosso presente é crowdfunding. Para que ficar entregando seu ouro para gravadorasq ue não te respeitam e nem fazem investimento adequado? O mercado mudou bastante, ficou mais comercial, e nós fomos alijados dele, como párias. a DORSAL tem história merece produção de primeiro mundo, mas como não há alguém que nos diga: “Coloco 500 mil no disco!”, então partimos para um acordo entre cavalheiros. O crowdfunding só não é entendido por quem parou no passado. Internet não é feita só para baixar filme, é feita para levar a luta da arte e do socialismo adiante.

Carlos Vândalo – 14 anos, Filho de Luciano Félix, Fã da Dorsal e registrado em cartório com o nome de “Carlos Vândalo”, em homenagem ao Carlos Lopes – Duque de Caxias/RJ Tio Carlos, os outros músicos da banda toparam na hora ou ouve muita conversa para esse retorno? Carlos Lopes – Foi mais fácil do que roubar doce de criança, meu sobrinho!

MÚSICOS

Luis Carlos (39 anos, Baterista da banda STATIK MAJIK): Já foi dito em outras entrevistas que a decisão de gravar um novo CD da Dorsal não significa que a Banda esteja voltando, e nem existem shows planejados. Diante de um novo mercado que temos atualmente, de um público que não compra mais CDs como antes, qual a visão de vocês com a decisão de entregar a responsabilidade de um lançamento para eles?

Carlos Lopes - Estamos fazendo história meu amigo, virando o Rei de cabeça pra baixo e arrancando-lhe as ceroulas! Quem está nessa, quem nos apoia sabe que não prometemos nada além do CD, mas também tdoos sabem que isso não é impossível. Sabemos todos que estamos construindo o futuro agora, nossos apoiadores são pessoas destemidas que sabem que o mundo pode sim e deve ser mudado, já!

Felipe Chehuan – Vocal da Banda Confronto: Carlos, a Dorsal Atlântica foi uma banda carioca pioneira no metal brasileiro, que influenciou uma geração de headbangers e de bandas como Sepultura. Para nossa sorte depois de mais de uma década parados estão voltando para gravar um novo e tão esperado disco. Em sua opinião quais foram os anos de ouro do metal nacional ou eles ainda estão por vir? Você acredita que a cena metal pode crescer mais que nos anos 80 e 90?

Carlos Lopes - Essa pergunta será melhor respondida na nova versão da biografia GUERRILHA!, meu amigo Felipe. Não há melhores ou piores anos, há a vida e ela obedece a ciclos. Não existe fracasso ou vitória, são devaneios humanos, só há a vida.

Wilson Oliveira, 34 anos, Ex-aluno de guitarra do Carlos Lopes. Prof. em cursos de Com. Social e Cinema, guitarrista das bandas Mappa Mundi e Hyde Park(covers hard rock) – Chicago/EUA O que você acha da cena do metal nacional após a internet?

Carlos Lopes – Não acompanho a cena de metal nacional há décadas. Durante alguns anos fui produtor e apresentador de um programa de metal na Rádio Venenosa FM no Rio. Para ter um programa bacana e ágil eu baixava muitos CDs de todas as épocas. Toquei algumas bandas no programa, pelo menos as que me enviavam material. Comigo não tinha jabá, mas a banda tinha que se coçar e enviar o material.

Marcus S. Larbos, 42 anos, vocal da Banda Panaceah, ex-vocalista da banda Cactus Peyotes e da banda Blockhead que foi produzida pelo Carlos em 1991. No mesmo ano Blockhead e Dorsal Atlântica tocaram juntos no Caverna II. Tem bandas que quando retornam mudam um pouco a linha, como ocorreu com o Overdose, Celtic Frost… A Dorsal ainda pretende manter a mesma linha antiga ou teremos algo novo para um próximo álbum?

Carlos Lopes - Pouco ouvi de metal desde que a Dorsal terminou há 12 anos, ou seja, para fazer um CD hoje, não me influenciei por nada, estou como renascido. O que farei é fruto da minha percepção musical atual, mas é tanto uma homenagem ao passado, sem ser uma mera reprodução, mas também é o disco de um fã do estilo, do que eu admirava do que havia de maravilhoso no metal e que se perdeu. A diferença é que o CD é mais melódico do que os anteriores, mas sem perder a agressividade. Promessa é feio, mas que tal imaginar que a soma será Dorsal, Metallica, Discharge e NWOBHM?

Claudio Bezz – Taurus Ainda somos os mesmos de outrora? E Como lidar com essa ideia “romântica”?

Carlos Lopes – Graças a Deus não somos os mesmos de antes. Estamos mais maduros, nossos corpos e gostos mudaram, nossas percepções da vida também, mas sempre há algo em nós todos que nos liga a quem fomos, uma parte lúdica, talvez até imatura, que nos enche de esperança e de sonhos cada vez que acreditamos que somos capazes de tudo, inclusive de vencer o tempo, esse senhor teimoso.

Fonte: Portal Rock Press e X-Press On!