Resenha — October 23, 2013 at 8:51 am

Robert Trujillo: 49 anos em ascensão

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Robert-Trujillo-Metallica

Hoje, 23 de outubro de 2013, o famoso contrabaixista do METALLICA, Robert Trujillo, completa 49 anos de vida. Uma vida de constante ascensão musical. À primeira vista, parece até que Robert Trujillo sempre fez parte do METALLICA. Ele parece confortável com a banda, mesmo durante as coletivas de imprensa. Ele reina soberano em uma boa parte dos palcos durante os shows. Age dessa forma mesmo sendo o integrante mais novo da banda, mesmo com toda a responsabilidade que teve em preencher o espaço vazio deixado por dois outros grandes contrabaixistas (um deles inclusive, carrega o status de lenda). Este mexicano-americano é deveras muito seguro de si, e sua história de vida justifica este cacife todo.

Nascido em 23 de outubro de 1964 na cidade de Santa Mônica, Califórnia, Robert Trujillo cresceu em Culver City onde conviveu em um ambiente violento desde muito cedo, pois tinha primos integrantes de gangues, tanto em Culver City como em Venice, uma cidade rival. O destino o quis bem aventurado, e não permitiu que este ambiente inóspito o corrompesse, sendo que as únicas influências trazidas por suas raízes foram musicais. Sua mãe era fã de Motown e muitas vezes fez com que dançasse air-guitar e air-saxofone ao som de Marvin Gaye e James Brown. Seu pai gostava de música de uma forma mais abrangente e ouvia de Led Zepellin à Beethoven. Seus primos o contaminaram com as coisas mais pesadas como Black Sabbath, e assim, em meio a este cenário litorâneo e repleto de cultura regionalista, a cabeçinha do pequeno Trujillo foi ganhando forma.

Aos 19 anos já tinha tocado em diversas bandas de garagem, que eram comuns pois estavam atreladas ao forte movimento surf e skateboard de sua região, a famosa Dogtown. SABBATH, OZZY e ZEPPELIN estavam em seu repertório trivial, e também, de forma desafiadora, RUSH. A partir daí foi estudar Jazz, com o intuito de se tornar músico de estúdio, mas seu coração estava dividido, pois era apaixonado por Heavy Metal.

Graças a um colega de escola, Rocky George, que tinha acabado de entrar para o SUICIDAL TENDENCIES substituindo Jon Nelson, Trujilo conheceu e se tornou grande amigo de ninguém menos que Mike Muir (isso é que é networking). Trujilo e Mike pensavam de forma parecida em se tratando de música, e passaram a ensaiar juntos em um projeto descompromissado, no qual tocavam Punk, Ska, Metal e Funk. Isto um dia se tornaria o irreverente INFECTIOUS GROOVES, mas ainda não. Antes disso, Trujillo teve que esperar por uma chance de fazer parte do SUICIDAL, em 1989, substituindo Bob Heathcote que caiu em obscuridade.

Finalmente em uma banda séria, Trujillo não precisou de tempo para se adaptar. Encaixou-se como uma luva, e nem poderia ser diferente pois o bonde estava andando e a banda estava às portas do estúdio para gravar “Controlled by Hatred/Feel Like Shit…Déjà Vu”, no qual Trujillo foi creditado com o nome de Stymee. Segundo o baixista, os motivos para este nome são inúmeros, e todos eles pertencem à mente incomum de Mike Muir, sendo que apenas ele poderia explicar. No entanto, o que realmente importa é que Robert Trujillo estava finalmente aparecendo para o mundo, marcando história em uma das bandas Thrash/Crossover mais bem conceituadas da história da música, e estava fazendo um trabalho primoroso.

Após gravar o seu segundo disco com o SUICIDAL TENDENCIES, “Lights…Camera…Revolution!”, Trujillo e Mike decidiram que era hora de colocar em prática as suas idéias em comum, aquelas que não se encaixavam em sua banda principal. E assim, em 1991, juntamente com os guitarristas Adam Siegel e Dean Pleasants, e o baterista Stephen Perkins, nascia o INFECTIOUS GROOVES com o álbum “The Plague That Makes Your Booty Move… It’s the Infectious Grooves”. A proposta tinha o mesmo sentimento do SUICIDAL TENDENCIES, porém Trujillo teve total liberdade para explorar suas influências de raiz, como o Jazz e o Funk, e isso somado a uma dose de humor foi o que definiu a identidade do novo projeto. A idéia deu tão certo que a banda chegou a gravar quatro discos ao longo de dez anos. Não é um número ruim se pensarmos que é apenas um projeto secundário. Sem contar que até hoje, existe muita gente que prefere o INFECTIOUS GROOVES ao SUICIDAL. A partir daí o nosso mestre de notas graves ganharia a visibilidade que faria toda a diferença em sua carreira.

Enquanto gravavam o debut do INFECTIOUS GROOVES no estúdio “Devonshire”, em Los Angeles, existia alguém ‘diferenciado’ que também estava lá naquela época gravando com sua banda. Era ninguém menos que o Mr. Madman – Ozzy Osbourne – concebendo o épico “No More Tears” sob o mesmo selo de Mike Muir & Cia., Epic Records. Este encontro inusitado terminou com a participação do Príncipe das Trevas na música Therapy do INFECTIOUS GROOVES, e com um convite para excursionar como banda de abertura de OZZY na “Theatre Of Madness Tour” durante um mês. Esta experiência permitiu que Trujillo ampliasse sensivelmente seu networking, de modo que oito anos depois, ele recebeu uma ligação. Ozzy o queria em sua banda.

A participação de Trujillo ao lado de um ícone do Heavy Metal não teve grande importância musical, ou criativa, em sua trajetória, entretanto o peso curricular foi muito importante. Sua estadia foi curta e marcada pelas regravações de Blizzard of Ozz e Diary of a Madman, antigos clássicos da carreira solo de Ozzy. Muitos dos riffs criados por Trujillo e rejeitados pelo Mr. Madman foram aproveitados em um projeto com o ex-ALICE IN CHAINS, Jerry Cantrell, que iniciava sua carreira solo. Neste período, o incansável baixista também fez participações em shows do BLACK LABEL SOCIETY e no álbum “1919 Eternal” (também da banda de Zakk Wylde).

Trujillo nunca teve o hábito de desperdiçar boas oportunidades. Geralmente ele as agarra antes que escapem, e seu próximo passo não seria diferente. O METALLICA estava procurando por um novo baixista após a saída de Jason NewstedPorém, entrar para o METALLICA não aconteceu com a simplicidade de um telefonema. Trujillo compareceu aos testes e enfrentou uma série de grandes músicos que também almejavam a vaga. Seu teste está registrado no documentário “Some Kind of Monster”. Uma vez na banda, Trujillo se viu em um ambiente conturbado. O METALLICA passava por problemas internos e James estava se tratando do alcoolismo, sem contar seus demais problemas pessoais. Apenas a partir do quarto ano é que a banda abriria as portas para sua contribuição criativa, na produção de “Death Magnetic”.

Hoje, Robert Trujillo é parte essencial do METALLICA, é um dos baixistas de Rock mais bem pagos do mundo, e desfruta de tudo isso por seu próprio talento. Em seu percurso, foi peça imprescindível da história do Heavy Metal. Esteve e está entre os maiores. Por onde passou, deixou sua marca, e um enorme buraco a ser preenchido. Todo esse sucesso veio sem que ele tentasse ser outra pessoa. Trujillo nunca tentou ser Geezer Butler, tampouco Cliff Burton; apenas ele mesmo. Sua autenticidade é o que lhe faz irreverente, e por isso merece ser citado e referenciado (e também, reverenciado).

Atualmente Trujillo é casado com Chloe Trujillo, e possui um filho e uma filha, Ty e Lula, respectivamente. E só faz o que sempre gostou de fazer; tocar baixo e surfar, não necessariamente na água, se é que me entendem.